



Por Cláudio Azevedo
Extraído de Azevedo, Cláudio; A Caminho no Ser: Uma Visão Transpessoal
da Psicologia no Yoga Sūtra de Patāñjalī, Editora Órion, Fortaleza, 2.007
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Essa segunda fase do hinduísmo é conhecida como bramanismo, termo que se formou a partir do termo brahma: sacerdote que oficia um ritual a Brahmaṁ. Como religião, o bramanismo é ritualista, isto é, as cerimônias têm eficácia por si mesmas, independentemente da crença, e a compreensão brâmane da realidade é panteísta, com a participação de deuses secundários e espíritos humanos em repetidas metempsicoses. Oração e penitência possibilitariam um maior conhecimento e perfeição do espírito (ou Ātman).
Etimologicamente, Brahmaṁ deriva do radical sânscrito 'brh', que significa ser grande e capaz de criar, expandir, crescer. Conseqüentemente, Brahmaṁ é o Criador (literalmente ‘grande expansão’). Brahmaṁ seria o princípio mais geral da Realidade Absoluta, tendo por isso um caráter Indeterminado e Incompreensível, mas passível de determinação nas mais variadas formas de realidades relativas. Assim, embora tenha se conservado inalterado enquanto conceito filosófico, assumiu uma forma personificada como Brahmā: a primeira e principal pessoa da trindade hindu (a Trimūrti), complementada com Viṣṇu e Rudra (ou Maheśa). Tradicionalmente, a Trindade hindu é designada como composta por Brahmā, Viṣṇu e Śiva, mas como fazemos referências constantes à obra "Śiva Sūtra", que considera Śiva como análogo a Brahmaṁ, substituímos aqui Śiva por Rudra.
Posteriormente, pequenos textos, chamados Āraṇyakas (tratados do arvoredo) por terem sido compostos para os ascetas que viviam nas selvas (āraṇya) com seus estudantes, tiveram uma função complementar aos Brāhmaṇās por conter algum aprofundamento religioso-filosófico, e, por isso, têm o caráter de apêndice a estes. O conceito de Brahmaṁ, como o Ser Supremo, ligado ao de Ātman (espírito), que etimologicamente significa respiração e significa o Eu interno do ser humano desejando ser imortal (ou perceber a sua imortalidade), foi primeiro especulado nos Āraṇyakas.